terça-feira, 8 de março de 2011

Manuscrito de um licantropo

Eis algumas linhas de meu conto "Manuscrito de um licantropo", de "Trevas de Marfim".


Manuscrito de um Licantropo
I

            Já ouviste falar em algo torvo? Algo confuso e torturante, que estica os nervos de sua ansiedade? Desejas ver o corpo feminino mais belo que possa existir, e uma neblina torna a sua visão torva? Thus...Torvos pensamentos me dominam sobre este lar de sombras. O que não haveria de ser torvo quando se tem diante de si somente uma massa acinzentada moribunda e nojenta, uma massa que passa pela sua garganta e transforma seus órgãos e respiração em cimento? É fácil perder a conta de quantos dias, semanas, meses ou anos se passam, quando se vive em um lugar como esse!
            De fato...Não sei há quanto tempo estou neste terraço imundo, nojento, acinzentado e torvo. Saio apenas uma vez por dia por necessidades de água e carne. A qualquer ser humano, seja por algum motivo divino ou por um monstruoso acaso, que esteja lendo este manuscrito, creio que seja improvável que não faça o seguinte questionamento: “Por que Diabos um ser humano viveria em um lugar desses? Um lugar com gosto de cimento e cheiro de cal? E ainda por cima escrevendo um manuscrito absurdo?” É esse questionamento que responderei nas próximas linhas deste manuscrito absurdo.

domingo, 6 de março de 2011

Never Play Hide and Seek

Poema que escrevi baseado no conto "Smee", de A.M Burrage, escritora britânica do século XIX. Posteriormente este texto foi adaptado, e se transformou na letra da música "Hide and Seek", que compus juntamente com os demais integrantes da banda de Heavy Metal "Stained Razor".



Never Play Hide and Seek


Darkling bedrom, desire that door...desire seek, desire deeply
Dark bedroom, no sight, I can’t see anything       
Moon gleams over the bedrom,
A small gleam into the cloudy sky, over the heavy clouds

Open it, touch me, my beautiful and soft skin
Under the slow gleams of the moon, over the cloudy sky
Just touch it, desire it...soft and unforgettable skin
Under the fast  gleams of the moon

Never play Hide and seek
Play Smee, say Smee and touch my skin
Never play Hide and Seek
Play Smee, say Smee and kiss my broken neck

Never see the pink curtains under the moon gleams
‘Cause you can’t touch my skin
Soft and desired skin, desired in dreams
You are sixteen years, but no one like is here, can’t say smee
No one is here can’t say...just touch...no one is here

Never go in the stairs, never look
Be carefull, look at your paths
Dangerous, dammed house...bottons, stairs break necks
Just go on....kiss my broke neck and touch my soft, cold skin.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Ruínas de Goethe


 Ruínas de Goethe
 


Sou apenas ruínas em pranto,
Restos sombrios pelo temível vírus dizimado,
Que lentamente expira, sob seu manto amaldiçoado,
Dedilhando melopéias mortas de um Werther ainda em pranto.

“A tudo tenho asco, meu caro! Um mundo doente, de esperanças já a tempo mortas, que sustenta seu espetáculo viral de eterna tortura!”

Sou apenas ruínas em pranto,
Onde somente asco posso sentir,
E que cadáveres sobre meu manto não deixam mentir...
Pelas ruínas rastejo em agonia, delirando neste maldito antro!

“A tudo tenho asco!
Deste mundo inveterado, que somente a razão é capaz de suprir,
Deste ócio venal que somente minhas lágrimas envenenadas podem exprimir,
E meu coração doentio sentir!”

“A tudo tenho asco, caro Werther! Um mundo doente, de esperanças já a tempo mortas, que sustenta seu espetáculo viral de eterna tortura! Sou apenas ruínas, envenenado pelo vírus que a Goethe destruiu!”



sábado, 29 de janeiro de 2011

À Sombra do Corvo

Saudações!

Convidos a todos à leitura de "À Sombra do Corvo", antologia de poemas e prosas poéticas promovida pela editora Literata e a Estronho. Participo com os textos "Morto-vivo erudito", "Estige", "Boneca de pano" e "Pássaro Caído". Boa leitura!

"Tragam de volta nossos poetas mortos para que façam coro com aqueles que ainda cospem seus versos imundos e dissonantes no mundo dos vivos. Vamos dar as mãos em volta da fogueira de letras e sonetos sujos, cantar a vida e suas dores, contar os mortos e nossos amores. Venham de mãos dadas com o vento, buscando o alimento de suas vidas vazias. Tragam Augusto, Álvares, Byron, Josés, Marias e Antônios. Que venham Florbela, Hilda, Flávias e Joanas. Vamos morrer em poesias e prosas, e viver de nossas linhas mal escritas. Venham deitar e ler À Sombra do Corvo..."


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Às Olheiras!

Dedico este poema àqueles que fazem de suas horas noturnas elocubrações inveteradas, e subjugam sua mera realidade ao calor das divagações misantrópicas!

Às olheiras!

Às pupilas taciturnas,
Aos jazigos de um noturno ardor nefilibata...
Às olheiras:

“Sereis vós o meu réquiem?
Lembrar-me-eis vós o eterno esplendor de minha alma megera,
Que se transfigura e transcende às mais grotescas quimeras?

Quimeras de um riso amortalhado,
Com seus olhos endiabrados,
Que de dentro de minha alma saltam...Diabos...?!
Diabos que adoentam um negro escarlate
A plenitude de minha face?”

Que venha o dia, e me lembre a dor crepuscular!
Que venha a noite, e me lembre o sabor transcendental!



                                                                      





terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Trevas de Marfim

Saudações a todos...

Neste blog, intenciono apresentar aos leitores alguns de meus trabalhos, e também textos que sejam afins com as temáticas e motivos da literatura gótica.
Primeiramente, apresentar-vos-ei minha obra de 2010 "Trevas de Marfim", com o prefácio de meu mestre, professor a amigo Stéfano Paschoal.

Aqui me despeço. Eis o prefácio:

"Adolph Kliemann, autor de “Trevas de Marfim”, apresenta-nos um trabalho encantador. Seus contos, com a dose exata de mistério, são plenos de sonoridade e ritmo e nos levam a revisitar as atmosferas misteriosas, assustadoras e sedutoras de Álvares de Azevedo, Augusto dos Anjos, Edgar Allan Poe, enfim, o que  há de sombrio e misterioso na literatura brasileira e na universal. "


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